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FESTIVAL INTERNACIONAL DE CIRCO ABYA YALA REÚNE ARTISTAS DE DIVERSOS PAÍSES EM SERRA GRANDE

Evento acontece de 27 de outubro a 1º de novembro, em Uruçuca, com programação gratuita de espetáculos, oficinas e atividades culturais que valorizam a ancestralidade e a diversidade

FESTIVAL INTERNACIONAL DE CIRCO ABYA YALA REÚNE ARTISTAS DE DIVERSOS PAÍSES EM SERRA GRANDE

O distrito de Serra Grande, no município de Uruçuca, no sul da Bahia, recebe entre os dias 27 de outubro e 1º de novembro a 5ª edição do Festival Internacional de Circo Abya Yala. Com programação gratuita e aberta ao público, o evento reúne artistas brasileiros e internacionais em uma série de espetáculos, oficinas, vivências e encontros culturais voltados à valorização da arte circense, da ancestralidade e da diversidade.

Uma das principais novidades desta edição é a aquisição de uma lona própria pelo festival, considerada um avanço para a autonomia do projeto e a possibilidade de ampliar a circulação de espetáculos por diferentes territórios.

“Mais do que uma vitória material, a lona simboliza uma semente de autonomia e expande as possibilidades de criação, circulação e ocupação cultural no território”, destacou Érika Marcela Sanchez, idealizadora do festival.

A edição de 2026 também apresenta a Noite Indígena e Afro em Cena, iniciativa dedicada ao protagonismo de artistas indígenas e afrodescendentes. A proposta é utilizar a arte como instrumento de valorização cultural, reconhecimento de identidades e reparação histórica.

Outra novidade é a vivência de Palhaçaria de Terreiro, conduzida pela artista Antônia Vilarinho. A atividade propõe reflexões sobre a descolonização da palhaçaria, estabelecendo conexões com tradições afro-brasileiras e práticas culturais de povos originários, como os Hotxuá, do povo Krahô, no Tocantins.

Durante os seis dias de festival, as atividades serão realizadas em espaços como o Barracão de Capoeira do Bairro Novo, a Represa, a Feira Comunitária Saberes e Sabores e o Circo da Lua Escola de Circo.

A programação formativa inclui oficinas de dança, bambolê, circo, arte de rua, palhaçaria e rap, ministradas por artistas do Brasil, Chile e Equador. As atividades são destinadas tanto a profissionais que desejam aperfeiçoar suas técnicas quanto a pessoas interessadas em iniciar experiências nas artes cênicas.

Entre os destaques estão o laboratório de dança O que te move?, com Sol Catalan, do Chile; a oficina de bambolê com Pipa, do Equador; a oficina de Circo e Arte de Rua, com Matias Donoso, do Chile; e a oficina de Rap no Bairro, conduzida pelo artista local Snep Nego, de Uruçuca.

As apresentações noturnas começam na sexta-feira (30), às 18h30, com a Noite Vozes do Mundo, na Feira Comunitária Saberes e Sabores. O espetáculo reunirá números de capoeira, palhaçaria, acrobacias e apresentações aéreas, com artistas de países como Argentina, Uruguai, França e Colômbia.

No sábado (31), também às 18h30, o Circo da Lua recebe a Noite Indígena e Afro em Cena, com apresentações de artistas de povos originários do Brasil, Venezuela, Argentina e Colômbia, além de representantes africanos e equatorianos. A programação contará com números de palhaçaria, rap, bambolê, acrobacias e performances aéreas.

O encerramento acontece no domingo (1º de novembro), às 18h30, na Represa, com a noite Corpos Femininos, Mundos Infinitos, dedicada ao protagonismo das mulheres no universo circense. Entre as atrações está o espetáculo A Mulher Festa, de Antônia Vilarinho, além de apresentações de artistas da Argentina, Chile e Brasil.

Ainda no domingo, das 8h30 às 11h30, será realizado um Círculo de Saberes com Nadia Akawa Tupinambá, Dona Jô, Mara Campos, Bárbara Flores e Panhonka, do Movimento Plurinacional de Mulheres Wayrakunas.

Além dos espetáculos, o festival destaca a importância da formação artística e da transmissão de conhecimentos entre gerações. A programação também abre espaço para crianças e jovens da Escola de Circo do território, que há 15 anos contribui para a formação de novos talentos.

Segundo a organização, a proposta é fortalecer o circo como patrimônio cultural vivo e ampliar a participação de grupos historicamente invisibilizados nos espaços de criação e apresentação artística.

“A proposta central reside em fortalecer o circo como patrimônio vivo e dar visibilidade a vozes diversas”, afirmou Érika Marcela.

O projeto foi contemplado pelos editais da Política Nacional Aldir Blanc Bahia (PNAB) e conta com apoio financeiro do Governo do Estado, por meio da Secretaria de Cultura da Bahia, com recursos direcionados pelo Ministério da Cultura, do Governo Federal.

Foto por Izabella Valverde

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